quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Vetor oposto.

Até o dado momento os movimentos de loopings e suspisros levaram ao lúdico da forma, corpos suspensos, encaixe do melhor sabor de passeio ao espaço. O ar sabe-se que é rarefeito, respiração seca e engasgada de algo por dizer. Não se escolhe a nenhum momento se mover, o espaço te suga para qualquer lugar, como o próprio desejo, como o próprio brinquedo.
PARA DAR SABOR PENSAREMOS NO CONTRÁRIO.
Falar de amor pensando em impotência, estar a dois querendo matar, ódio que vira qualuqer coisas menos isso que você mente. A cada eu te amo é uma faca que corta o corpo. Não mais se completam por que sobrou amor, amor demais dói, sufoca, dá raiva e uma vontade explosiva de fugir, ansiedade.
Toda paz precisa de guerra, todo alcance precisa do primeiro segundo.
O corpo impotente por seguir sozinho e tudo isso na cabeça te amando, e tudo aqui fora te esquartejando. A palavra é um tiro a queima roupa, um homícidio com todas as provas do crime expostas.
Amor de escatologia, seu cuspe na minha língua, seu sexo na minha boca, seu corpo para beliscar, seu gemidos de dor levam qualquer a um.
E você não mei deixa em paz. E você faz meu corpo tremer.
Que ódio esse amor.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Brasil Afora | "A lhe esperar" | Os Paralamas do Sucesso

Amor é ódio.

Presente do Caio para o nosso processo.


O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Os movimentos.

(Correspondente a toda e qualquer intenção que vai além apenas do mecanismo).
Qual a história que se conta?
Primeiro ela chega, caminha a frente por que você a deixou. Olha tudo e as luzes te encantam, a menina que espera. Que se arrumou sabe-se lá pra quê. Olhos que dançam a espera dentro desta concha ocular, espaço este que ocupa o meu mar de declaração. Da boca do palhaço meus dedos fazem lágrimas. Deixa eu te pedir uma fala, um minuto, um pacto. Olha ela ali de mãos ao alto gritando por você, por ela, por amor. Trem fantasma direto do abismo. Xiiiiiiiiii Vrummmmmmmmmmm. Meu estômago ée pura adrenalina. Escuta. Não, melhor fala. Dificil dizer. A tua espera me gera arrepios, o espaço me contamina como fios elétricos. Cadê você, ora bolas? Bola de sabão, bola com bis. Ele que te deixou porque...porque...porque te amava, calça as luvas pra melhor te encontrar, os dedinhos riem on chão de tanta ansiedade. De agora não passa, não consigo dizer. Se você não diz os ombros tremem de choro. Ele está em neve, desculpa ele. Desculpa eu.
Arruma o cabelo. Desarruma. vai embora, espera. Beijinhos no espaço. Beijinhos no espaço, ela não pode partir.
O maior silêncio está nas nossas mãos dadas, nos nossos abraços dançados. Eu desgosto tanto de não dizer e não digo. Não sei falar de amor, cara de monstro pra ver se te reconheço, se te assusto, se te amo. Abra os braços e bate-bate coraçaõ, bate bate as asinhas pra te encontrar, se assim se bate. Parece passarinho.
Falo pra você que está na minha frente e mora tão longe. Queda total.
As palavras estão preenchidas de dores. Amar dói, sabia? Dói tanto que eu tenho vontade de rir, descontroladamente. E os pés persistem em não ficar no chão, aterriza-se nas palavras ou a qualquer momento estará suspenso, daqui.
Trajetórias-passeios-procura-corrida pra te encontrar- desvio de susto. Muda o cabelo pra vê se chama atenção, cola seu amor na parede pra se te conquisto. grita pra janela pra me ouvir. Come, chora, espera.
Preciso ser visto, ser vista ainda que esteja lá, ainda que aqui. Deu brecha, deu suspensão pra amar. Tudo lento. Eu te amo, eu te amo, eu te amo.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Vídeos

http://www.youtube.com/watch?v=2_HXUhShhmY

http://www.youtube.com/watch?v=GU3n8CORSWQ

http://www.youtube.com/watch?v=37sKI7d7-xA&feature=player_embedded

http://vimeo.com/15177460

Jogo de a

Esse tempo e espaço que não se cabem e coexistem. Qual o melhor tempo para perfurar este tempo? Eu no espaço e querendo inserir faca e cortes que não se sustentam em trajetórias. Distânciamento e deslizamento para o entre-lugar, planta paixão que no obscuro tudo brota. É paixão no ar e um medo de que o tempo persiga o próprio tempo de ruptura. Rompa de peito aberto- mesmo que mínimo- este caos, todas as palavras que abortam mesmo sem nascer. Eu nao digo e é mal-me-quer. Bem querer meu bem mas eu não vejo. Cadê Lu que tá aqui? Observe que o tempo é o inimigo, corra e rompa, ou será tarde demais. Esse suspiro leva todo o tempo do mundo e seus silêncios desmembrados. Nem amor nem paixão. É dois e só. É dupla só. Qual o gosto que você tem? Que jeito não te tenho, coisinha? Nem jeito nem jeitinho. Não vou senão você acaba comigo neste instante que( carona rápido neste cometa pra comer dois bombons pra você amorzinho porque você assim...)e eu de volta ao ponto de origem falando no silêncio. Dá um tempo. Ou Rompa.
Romeu e Julieta amor de safadeza. Se eu te olho te cuspo pra londe daqui, no espaço e no tempo.
Atenção.
Controle.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Para Lucimar.





Roda.




Nasce da coluna, transpassa os poros e engole o espaço.

A própria batida do coração revela um perigo, alerta senão falta ar. Jogo de dois, dois pra lá, dois pra cá. Um movimento se segue e um pulso marca a música. Há um silêncio na relação. Segundos antes de mergulhar, suspensão. Total suspensão, pés fora do chão e um grito que sacode todo afeto que não cabe no peito e a declaração derretida e veloz de amoras. De volta ao ponto de origem e você estático, parada que nem pedra dessa do coração. Menino e Menina. Veja, se não disser isso aqui que pulsa pulsa pulsa pulsa irá explodir. Tarde demais seus gestos me fazem rir e eu já estou nadando em nuvens e dançando sem a noção da gravidade. Por onde andam meus pés se ainda me há dor ao te sorrir com as narinas? Elas flagram essa respiração que te espirra pra outro lado quando o estõmoga gela todinho.
Ah, se você não aparece.

( Tudo que movimenta internamente pede pra nascer. Algo permanece e se rompe com uma enorme suspensão que explode, vaza, inunda o espaço. Todo espaço respira paixão. Movimento, trajetória e aquelolinho ali é rompimento, é suspensão. Diga lá, logo, senão a qualquer momento se perde para ele- o espaço. E o corpo se atravanca nessa máquina-de-diversão que te movimenta, te contorce, te afasta independente da vontade.)