segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Antes, eu só sentia. Meus poros se super-dilatavam, os pelos se eriçavam, pareciam mini-radares à procura do que os instigava. O coração era capaz de bombear todo o sangue do mundo! Aí você começou a querer que eu falasse, que eu dissesse, escrevesse, documentasse coisas que eu te dava de bom grado, sem que você me pedisse. Você me calou. Me prendia nas palavras, nas definições, nas sentenças. Eu não sabia mais ser, sentir. Comecei a me vigiar o tempo todo. Você tem noção do que é ser guarda da sua própria vida? Do que é controlar um suspiro, um lacrimejar dos olhos, um sorriso que se esboça no canto da boca? Aí eu desisti. Até o dia que você me deixou partir e eu fui. Fui por aí a borboletar novamente. Agora eu sou algodão no vento. Agora eu pinto o céu da cor que eu quero. Agora eu não preciso de você. Agora eu sinto de novo.
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