terça-feira, 9 de novembro de 2010

Textos da Dani.


( A Dani me enviou como referência e eu quis dividir).
SEGUNDA-FEIRA, 23 DE MARÇO DE 2009
FAQ
será que voce pensa que eu sou do tipo "amostra grátis"?

comer um pedaço de mim vai te fazer entender todo o resto e apreciar ou não o que voce supõe ser o inteiro?

se provar a parte ruim, aquela bordinha que sempre queima quando sai do forno, ou a quantidade de água sempre mal calculada que acaba e a chaleira fica lá, quente e solitária como eu tenho me sentido: quente e só, e aí?

será que depois de me provar voce vai escovar os dentes, beber um suco ou comer um doce? talvez fique passando a língua na gengiva para sentir a saliva temperada da minha presença?

acho que voce vai continuar andando pelo supermercado e fazendo cálculos para levar somente o necessário.
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SEXTA-FEIRA, 5 DE DEZEMBRO DE 2008
eu faço desenho com constelações
toda segunda feira é a mesma coisa. esperar a estética começar pra eu me desligar do mundo através da melodia baiana prolixamente ditada e esperar por ele, meu objeto de desejo. branco, esguio, montado deliciosamente sobre ombros largos, ossos magros de costas retas...meu objeto, o pescoço daquele menino encantador assim... quieto, calmo, bonito... acho que o nome dele é... (bom, não quero dizer aqui, mais sei qual é porque esperei ele assinar a pauta)... "o belo essencial de platão"... (talvez foi isso que o professor disse)... "platão pensava assim...amor, beleza, dialética ascendente"....eu até que fui bem na prova...de perfil ele também é lindo...um cabelo curto, claro, uma barba por fazer, um nariz grande adequadamente posto num rosto comprido...uma boca semi-aberta ao copiar a matéria "a idéia do sublime de baumgarten".... a boca se fecha com a mão no queixo e um olhar atento...será sono? vontade de passar os dedos naquele pescoço... "podemos falar de prazer"...que frase perfeita pra essa hora..."experiência estética fenomenal"...caraca, o professor sabe mesmo das coisas.... fenomenos da natureza...ele tosse, ele sempre tosse...e ele sempre passa a mão naquele pescoço... chega menina, parece romance barato de banca de jornal da central do brasil...

depois que descobrí aquele pescoço nunca mais dormí nas aulas...

sabe aquelas vontades de ficar quieta ou de não falar tão alto?

pois é, dá sempre essa vontade...

mais aí eu sempre rio e estrago tudo.

como sempre.

"o belo é o universal sem conceito"...foi a última coisa que ouví.

2 comentários:

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  2. O amor não é belo, meu querido. É o que há de mais animalesco na alma. Amor é uma coisa que chega bem perto do canibalismo. E você sempre se despedia dizendo que me ama. Lembra? Se eu fosse uma pedra, você também falaria a mesma coisa, contanto que estivesse casado com ela. Tanto faz. Aquilo era práxis. Burocracia.
    Isso é burocracia, meu bem, é o puro método. Aritmética! Essa é a palavra!
    Transar sem se dar a dignidade de receber um tapa sequer, sem ao menos um puxão de cabelo ou uma sacanagem dita laicamente ao pé do ouvido. Não. Eu me nego. É necessário violência. É necessário se aventurar no próprio corpo, ou condenar-se a conviver um domingo de cada vez. Doses homeopáticas de antropofagia!

    ‘o que foi?, o que foi? Você está bem?'
    (seu cabelo na minha mão)
    shhhhhh! você não ouviu, mas eu te amo também.

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